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Câmera Record retorna a cemitérios para mostrar uso do local como abrigo

Redação | 29 de Outubro de 2020 - 17:55

Dois anos após denunciar problema, programa reencontra antigos moradores

    Dois anos depois de levar ao ar um documentário com a denúncia de que que cemitérios haviam tornado-se abrigo para quem não tem onde morar e refúgio para usuários de drogas e garotas de programa, neste domingo, dia 01/11, o Câmera Record volta a esses locais e reencontra rostos conhecidos.

Dayane é uma das que vivem entre os mortos e não tem a tranquilidade de antes. Em maio de 2018, ela dormia num buraco dentro do cemitério São Luiz, na Zona Sul de São Paulo. "Eu continuo usando crack, nem diminuiu, nem aumentou", conta.

A diferença é que agora Dayane não fica o tempo todo perambulando pelos túmulos. Colado ao muro, ela ergueu um barraco de lona. "Quando as coisas ficam difíceis aqui dentro, eu pulo para fora, quando está difícil lá fora, eu pulo para dentro", explica, ao se referir à polícia ou criminosos.

André também foi retratado pelo Câmera Record, quando morava no cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte da capital, e ele continua bebendo e usando drogas.

"Eu fumo e bebo até o corpo não aguentar mais, às vezes eu fico quatro, cinco dias sem dormir, só consumindo crack. Viro um zumbi", assume André. Ele também montou um barraco na vizinhança. A mulher e os filhos ficaram para trás, hoje, um tem nove e o outro 11 anos.

Agora ele está disposto a abandonar o crack e se tratar. "Não adianta fazer uma coisa forçada, hoje em dia eu quero, porque aí eu sei que vou conseguir", desabafa. Os repórteres registraram a internação dele, desde a chegada do transporte da clínica até os primeiros passos para se livrar das drogas.

Josiane é uma nova frequentadora do Vila Cachoeirinha, o segundo maior cemitério de São Paulo. Passa os dias usando drogas e se prostituindo entre covas e túmulos. "Comecei a usar drogas depois de velha, eu fumei o meu primeiro baseado aos 26 anos".

À medida que Josiane conta sua história para a nossa equipe, aparecem feridas abertas da infância em Alagoas. "Fui criança, mas não podia brincar de boneca, tinha que cozinhar. Com oito anos, eu trocava botijão de gás, mexia em panela de pressão. Sofri abuso sexual ainda menina. Foi o meu tio que abusou de mim", revela.

E ainda: a reviravolta na vida de Hoélica. A jovem morava em um barraco dentro do cemitério Vila Nova Cachoeirinha. Ela abandonou o vício em drogas e restabeleceu os laços familiares. "Peço para Deus me perdoar, pela minha fraqueza, por eu ser covarde comigo mesma. Peço para ele cuidar do meu filho, que Ele dê saúde para todos nós".

No podcast, o doutor em psiquiatria e Secretário Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, Quirino Cordeiro, explica quais os tratamentos para dependentes químicos disponíveis no Sistema Único de Saúde. Já os repórteres Mauro Júnior e Rogério Guimarães falam sobre os bastidores da reportagem.