Quem é o Wando do Congresso Nacional?
Hoje senti vontade de sair um pouco das pautas que o nosso blog publica e prestigia para entrar em outra seara.
A seara é a nossa Câmara dos Deputados e o motivo é uma calcinha GG que desfilou no plenário da Casa de forma normal, depois de saltar do bolso do terno de um parlamentar, colecionador dessas peças sem questionar o tamanho.
Há muitos anos o Deputado Bonifácio de Andrade (o pai do Arena/MG) abriu um processo contra meu irmão, Nonato Vasconcelos, porque ele escrevera um texto para a seção Carta do Leitor do Jornal de Brasília, dizendo que a Câmara Federal era um circo e o político mineiro um líder circense.
Não deu outra! Bonifácio chamou o Dr. Ponce, Assessor Jurídico da Casa, e pediu para abrir um processo contra meu irmão que na época era aluno da FGV/RJ, aonde cursava sua pós-graduação.
Lógico que eu fiquei preocupado ao ler no jornal Correio do Planalto a manchete em corpo 70 e em negrito: “Líder do Governo processa estudante”, já que eu sou o mais velho da família. Então fui atrás de uma proteção em favor do réu, preocupado com a bolsa da FGV que corria sério risco de ser cancelada.
Procurei o amigo senador Jarbas Passarinho, líder do Governo (Arena/Pará), e solicitei que fôssemos até ao gabinete do líder “enfurecido” Bonifácio de Andrade, para que o mesmo retirasse o processo. De portas fechadas foi feito o apelo e aceito o pedido.
O líder Bonifácio da Andrade exigiu que fosse publicada uma carta na mesma seção dizendo que ele era tudo de bom.
Salvamos a pele de um estudante, que apenas transmitiu o que pensavam na época os “liderados” (alguns jovens Deputados filiados à Arena) durante uma conversa no clube Previ, na Asa Sul.
Depois desse episódio eu e a sociedade brasileira já ouvimos e vimos tantas cenas patéticas ocorridas naquela Casa, que nos deixaram e nos deixam surpresos, perplexos e tristes. Agora surge a calcinha que saltou do bolso do ilustre “representante do povo” e serviu de gozação no plenário da Câmara Federal, numa demonstração de pura infantilidade de alguns dos ilustres “mandatários do parlamento”.
Se esse fato tivesse ocorrido lá em Vigia/Pará, minha terra natal, e fosse descoberto o dono do bolso de onde caiu a calcinha, o “colecionador” ganharia o apelido de “Wando do Congresso Nacional”.
O falecido Bonifácio de Andrade deve ter se revirado em seu túmulo com tantos acontecimentos diferentes dos fins da Casa. E parece-me que o quadro da Casa não mudou, pelo contrário, piora a cada ano sua imagem, o que é lamentável.
